Tenho trabalhado no carnaval de Rio Claro, pela Escola de Samba GRASIFS
e quero passar um pouco do meu aprendizado nesses dez anos de desenho de fantasias, alegorias e desenvolvimento de tema-enredo.
BRASIL, MOSTRE SUAS CARAS COMISSÃO DE FRENTE - Rituais -
O uso de máscaras nas sociedades ritualísticas significa o imaterial, o espírito vital da natureza. O homem sela
a sua aliança com as entidades espirituais, que são simbolizadas pelo vento, os animais da terra, ar e água,
as forças da natureza e os elementos do mundo. ABRE-ALAS - Máscara -
A máscara traz consigo o comportamento do personagem. É artifício poderoso e forte que impulsiona, dá
coragem de "ser" porque depois de vestida, já somos o que ela representa. ALA SOCIEDADES RITUALÍSTICAS -
Quando o homem reveste-se da máscara e das roupagens e pinturas, ele abandona a sua encarnação cotidiana e mortal para, naquele momento, ser e representar o espírito. Usa dos símbolos como um estímulo para a harmonização da vida social.
Este tipo de sociedade tem um conceito de tempo circular e a cada ciclo, seja solar, lunar, agrícola, a comunidade realiza a cerimônia que representa novamente o mito da criação do mundo. Para esse retorno ao marco zero, ao início, se preparam com jejuns, sacrifícios e oferendas a um animal expiatório
que levará consigo os pecados e erros da comunidade. Ritual este realizado com o uso de máscaras. ALA ÍNDIOS -
As máscaras constituem um importante aspecto da cultura indígena. Usavam-na, no princípio, como disfarce, nas caçadas e, na atualidade, como função religiosa.
Em certas tribos, elas funcionam para que os espíritos maléficos não cheguem até o indígena que é portador de qualquer tipo de máscara.
Em outras tribos, a máscara é utilizada para que a divindade consiga reconhecer o indígena escondido e lhe oferte dons divinos.
Porém, a máscara pode representar um espírito obsceno, violento e, outras vezes, dotado de petulância,
principalmente nas cerimônias de iniciação do índio, ou seja, a sua passagem para a vida adulta. ALA BOI -
Manifestação de homenagem a esse animal. Cada região do Norte e Nordeste até Santa Catarina tem seus personagens, normas e enredos. Difícil fazer a síntese de todos esses eventos. Resta-nos a figura poderosa do boi.
O mais puro dos espetáculos populares nordestinos, o Bumba-meu-boi, apesar de algumas influências européias, tem estrutura, assuntos, tipos e música essencialmente brasileiros. Originário do ciclo econômico de gado, sua mais antiga referência data de 1840.
Sua origem não tem data precisa, mas se dá como certo que se trata de uma reunião de reisados em torno de um reisado principal, que conta a vida e a morte do boi.
Há três categorias de personagens nos Bois: humanas, animais e personagens fantásticos. CARRO FOLCLORE BRASILEIRO -
Os seres que habitam a mente do povo brasileiro são coloridos, espertos, alegres, dinâmicos e tem existência
própria. Os homens não conseguem fechar o mito em suas mãos e dominá-lo. Nós, ao contrário, é que somos
filhos do mito. O importante, além das formas inusitadas e belas que encontramos
em todo o território nacional, é verificar-mos que os seres do imaginário brasileiro têm vida, intuição,
experiência, afetividade. ALA SHOW -
Nudez, nosso corpo despido de personagens? Talvez não... Talvez vestido de oportunidade. Permite-se estar
"nú". A máscara é invisível, não necessária como objeto, basta o recurso do brilho, do sorriso e da ginga. A
grande máscara chamada CARNAVAL. MESTRE-SALA / PORTA-BANDEIRA -
Drama e comédia - Dentro ou fora do teatro, o cotidiano nos leva, por vezes, a vesti-las: as máscaras do
sorriso ou da seriedade.
(Ronaldo Bella - Enredo apresentado no Carnaval 2000)
A máscara é uma experiência viva, sensível, profunda. A máscara "diz" a todos e a cada um.
Cada máscara é um universo. Por alguns instantes, ocultos, podemos nos colocar no lugar da divindade.
E olharmos o mundo com outros olhos.






BATERIA - Carrancas - As primeiras referências sobre a presença das carrancas no Brasil, estão localizadas nas embarcações do rio São Francisco, por volta de 1888. Único meio de transporte para os moradores das áreas ribeirinhas que margeavam o rio São Francisco, as embarcações concorriam entre si para atrair a freguesia. Assim, alguns motivos para a presença das carrancas: - Os proprietários buscavam decorar suas embarcações de modo a torná-las mais atrativas e consequentemente conseguir maior número de passageiros; - Concorrer com as embarcações de maior prestígio existentes à época no Rio de Janeiro e em Salvador. Algum fazendeiro da região do São Francisco deve ter visto nos portos destas grandes cidades os navios decorados com objetos de seus proprietários e levado o costume para lá; - Além desses fatores exclusivamente decorativos, atribuiu-se também à estas figuras a função de afugentar maus espíritos e proteger as viagens. O fato é que as carrancas tornaram-se enfeite de proa característico das embarcações do rio São Francisco por muitas décadas, originando e estimulando uma manifestação artística coletiva, com caracteres comuns, respeitadas as individualidades de cada artista. |
![]() |
ALA BAIANAS - Luxo e poder - Nos vestimos de luxo ou de extrema sobriedade. Que papel representar?. Da superioridade, do poder aquisitivo, do poder dominador...Eu sou rei ou rainha, sou nobre e estou "acima" do humano. E o homem público, o político que se veste de sobriedade, distinção e competência, de comportamentos simpáticos quando lhe convém, quando quer convencer de qualidades que nem todos possuem. |
![]() |
CAPOEIRA - Por circunstâncias típicas de sua situação de escravidão, os negros, quando se organizaram em quilombos, reproduziram as sociedades tribais da África. Não possuiam armas suficientes para sua defesa e foram buscar no próprio corpo a maneira de enfrentar os inimigos. Imitando gatos, macacos, cavalos, cobras ou aves, descobriram suas armas nestes movimentos. E por não ser permitido pelos senhores um declarado comportamento de luta, toda a capoeira era mascarada em forma de dança.
ALA PERSONALIDADES - O objetivo desta nova vestimenta é possibilitar a vivência do mito, do ancestral e da fantasia. A máscara deve significar o essencial da vivência humana: a dor, a alegria, a maternidade, a paternidade, o ultraje, a morte, o destino, o desafio, a receptividade aos deuses, a memória da espécie, as entidades da natureza, a identificação com os espíritos e os instintos vitais simbolizados pelas figuras dos animais. A máscara veste o homem de anonimato. Ele desaparece como identidade social e com este desaparecimento está novamente livre, liberto de todos seus compromissos, é uma presença anônima na multidão. Ele pode tornar-se outro, o encontro com as forças da natureza, a luz e a sombra, o bem e o mal e viver fantasias. |
![]() |
ALA TEATRO - Nossa sociedade tem conceito de tempo progressivo, no qual o posterior sempre sucede o anterior. Está vinculada à produção do novo, que a faz caminhar em direção ao futuro. Apesar desta clara situação, a máscara continua a ter funções importantes em nossa sociedade. O homem reveste a sua personalidade, torna-se um outro ser devido sua necessidade de incorporar novas personalidades e desejos de experimentar estados de espírito e ações liberto de sua personalidade social. Não é preciso conhecer o teatro para perceber o significado e a compulsão da representação. |
![]() |
CARRO TEATRO - No Brasil, um país rico em mitos e ritos, a máscara tem uma importância vital e é presença constante na vida da população. Ela participa da nossa vivência emocional, social e espiritual, no teatro popular, nas manifestações folclóricas.
ALA PALHAÇO - No carnaval, a imaginação popular alcança um nível de criatividade e liberdade, talvez não encontrável em qualquer outro momento brasileiro. A expressão é livre para dizer e fazer tudo. Mostramos o palhaço como representante por se tratar de um personagem reconhecido e típico no carnaval. |
![]() |
ALA DANÇA - Dança são gestos que representam personagens, dando-lhes vida e movimento. Crenças, oferendas, atitudes físicas de reconhecimento do mito.
PAINEL - "Do fundo das imperfeições de tudo quanto o povo faz, vem uma força, uma necessidade que, em arte, equivale ao que é a fé em religião. Isso é que pode mudar o pouso das montanhas" - Mário de Andrade